o final de Lost e o começo do futebol

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e então Lost terminou. o seriado que durante os últimos seis anos, mais ou menos, tem respondido a uma pergunta com outra pergunta acabou com o que posso definir, sem spoilers, como sendo o ponto final mais emocionante que vi em um bom tempo.

tão comovente, de fato, que me fez esquecer os buracos que o roteiro deixou para trás - buracos esses que (nem sempre) surgiram por motivo de força maior, como a desistência do ator que fazia o mr. Eko, a crise financeira de 2008 e outros eventos que pegaram os criadores de surpresa.

sim, é verdade que todo mundo queria saber, por exemplo, o que afinal significavam os números (4-8-15-16-23-42 - arrá! lembrei). ou que diabos era a nuvem de fumaça preta que vagava por aí fazendo barulho de impressora de caixa. mas convenhamos: se o J.J. Abrams vira e fala: "olha, aquela nuvem na verdade é uma baforada do fantasma de um fumante contumaz, que trabalhava no Hortifruti e se chamava Asdrúbal" - e daí? você acreditaria nisso? sequer importaria pra série?

não, não. estamos perdendo o foco. o que acontece é que aquele é um universo de ficção que saiu da cabeça do próprio J.J. Abrams. e, francamente, se você não está disposto a aceitar isso, então por que diabos assistir? é como ver Harry Potter e falar "ai que mentira".

mas é claro que é uma mentira! e o pior é que é uma mentira das boas!

(isso me lembra um filme do Rick Moranis que não ficou na memória de todos: ele era um escritor que voltava à escola da pequena cidade onde tinha estudado, para dar uma palestra, e falava exatamente isso: "crianças, escrever é mentir. quero que mintam para mim". mas enfim.)

o final de Lost realmente me deixou sem palavras até agora, motivo pelo qual tomo emprestadas as de um amigo meu: "Eles nos envolveram com a razão e nos fisgaram eternamente pela emoção. E essa decisão foi muito sábia".

realmente.

depois de seis anos de quebra-cabeças lógicos, J.J. nos deixa com uma solução emocional. e porra, como é difícil trabalhar emoções de maneira tão sublime. o risco de cair na pieguice é gigantesco. o trabalho em equipe ficou evidente: sem as mentes brilhantes de Carlton Cuse, Damon Lindelof et al., ele jamais conseguiria.

e acabou que vários dias depois de ter visto o episódio final de Lost, eu ainda não sabia como escrever isso tudo; quer dizer, tinha as ideias, mas não tinha um todo que me agradasse. até que:

véspera de jogo da seleção, numa boate aqui do Rio (a Casa da Matriz), sem meu iPhone (que fez o favor de entrar em combustão espontânea - muito obrigado, Steve Jobs). como tecnicamente seria véspera de feriado, eu esperava ver a casa cheeeia. necas. esqueci que a maioria das pessoas teria que acordar até mais cedo pra sair do trabalho a tempo de ver o jogo.

então eu não tinha nada pra fazer ou assistir (sim, na rua e eu querendo ver seriados) nem muitas pessoas com quem conversar. foi quando vi, no telão, imagens de Copas passadas. repetidamente. afinal, como boa boate (balada se você está em São Paulo), as pessoas não vão lá exatamente para ver TV. mas Copa do Mundo é Copa do Mundo: até as boates/baladas celebram a data.

e foi quando algo aconteceu.

para mim, que não gosto muito de futebol (ok, cago e ando mesmo) aquilo nunca fez o menor sentido. mas em meio à sucessão de imagens de gols, do troféu da FIFA sendo erguido, pessoas filmando e fotografando, caras de tensão e alegria, uma mensagem apareceu. uma mensagem profunda, certeira, que simplesmente não podia ser medida em palavras. uma emoção.

como o final de Lost.

Comments

Juliana Farias

Quebra o Jobs de

Quebra o Jobs de porrada.
Emoção é para fracos.
:* chuchu