Portfolio

trabalhar com web é imprevisível. às vezes, você está de mãos atadas. outras, de mãos cheias. mas quando as outras duas situações se sobrepõem não dá pra meter os pés pelas mãos. foi mais ou menos como aconteceu com Bob Cunha e Áurya Pires, exímios professores de dança cujo site fui mais que gentilmente convidado a fazer, pouco tempo depois de ter fechado um outro free lance (ou, em bom português, job). sendo seu bolsista, eu não podia exatamente negar a contradança - mas ainda poderia ditar o ritmo.

você está pronto para atender clientes? nem todo cliente está pronto para ser atendido. sim, é claro, precisamos ser profissionais e trabalhar com o que foi designado - e que já não é pouco. mas uma vontade irresistível de atender determinados clientes acomete um designer. pode-se dizer até que o cara encasqueta com isso: às vezes por ser um cliente internacional, arrojado, que dê bastante liberdade para criação ou que pague muito bem, além de dar muita visibilidade. ou nenhuma das respostas anteriores.

quando você trabalha naquilo de que gosta, é natural que seu jeito vá evoluindo aos poucos. mas todo mundo começa meio newbie - ou, em bom português, novato. e isso é uma constante universal. no entanto eu tenho visto cada vez mais ofertas de emprego que exigem experiência prévia, e em várias coisas. de qualquer forma, eu sou um cara de sorte. eu trabalho com o que gosto. o Site da produtora de internet Arte Digital, que fui gentilmente convidado a conceber, é um testemunho disso. e ele foi, também, um marco de algumas coisas que eu já tinha aprendido e era hora de aplicar.

quando um cliente chega pra você com um site pra fazer, levantam-se muitas perguntas. quais os objetivos? quem é o público-alvo? vai ter foto no layout? etc. mas quando o cliente é seu amigo do tempo da escola; seu chefe foi seu professor na faculdade; o orçamento está apertado - e o prazo mais ainda - e, por total aperto do departamento de web, cabe a você tocar o projeto, as chances de sucesso são, digamos, ligeiramente mais estreitas. como resolver esse dilema, sem se queimar com os amigos velhos de guerra?

eu sempre quis ser publicitário. então juntei minha força de vontade e fui reprovado no vestibular da UFRJ, de onde segui pra ESPM. uma vez lá, fiz um curso de webdesign, sabe, pra agitar um estágio. o Giovani dava aula na ESPM, achava muito promissor esse lance de web e me chamou pra agência dele. lá pelas tantas, eu já estava como webdesigner da agência do meu ex-professor, trabalhando com ex-colegas das salas de aula, quando pintou um job pra nossa ex-escola. essa era a prova de fogo. pra todos nós.

uma coisa nesse mercado é que você precisa estar pronto pra quando a necessidade do cliente surge - não depois. isso porque clientes geralmente têm pressa. então, convém não embromar ou você pode acabar numa situação extremamente complicada. outra coisa inquestionável é que designer precisa se reciclar a todo tempo. só que quando uma cliente aparece com uma necessidade que você ainda não sabe realizar, mas está quase, como você faz?

atenção: infelizmente, o site da Nativa foi desativado, pois era de uma coleção de inverno que já passou. mas o da Verdesign continua no ar: www.verdesign.com.br

a profissão de designer - seja lá de qual coisa for, mas no meu caso web designer - é das mais badaladas do momento. quem nunca quis inventar uma coisa que todo mundo achasse o máximo e saísse usando? pois é. mas nem sempre você deve criar um site do zero. pelo contrário, às vezes o seu trabalho começa onde o do colega termina - literalmente! recebendo um layout, é sua responsa produzi-lo com fidelidade ao original, acrescentando movimento e funcionalidade. e tudo isso sob o olhar zeloso de quem criou, levando em conta as sugestões do cliente. os sites da coleção de inverno Nativa e da Verdesign são dois exemplos disso.

tem uma época em que todos os sonhos são possíveis. depois você vira adulto e descobre que não é bem assim (mas eu conheço um cara que realmente virou ninja). bom, quando eu conheci o Cesar, ele era um cara maneiro, que gostava de química e tocava guitarra. hoje em dia ele é farmacêutico. quanto à guitarra, bem, essa continuou de verdade. o sujeito tem uma banda que é o bicho, e continua batalhando pelo lugar dele. e eu nessa história? contribuí na criação de um site à altura.

"existem pessoas muito criativas. também existem outras que conseguem entender e aplicar a metodologia em um projeto. raros são os que, como o Luciano, têm condições de transformar requisitos e especificações em soluções inovadoras. o projeto de CD-ROM da Tríade é um belo exemplo disso". assim falou Robson Santos, meu orientador da pós. mas diante de toda a turma, numa aula de revisão, ele lascou: "você vai ficar cheio de marra, mas eu não achei nenhuma falha na sua interface". imagina, eu nem fui sacaneado por isso. mas peraí, como assim trabalho acadêmico num portfolio profissional?

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